A tendinite calcária é uma condição caracterizada pela deposição de cristais de cálcio nos tendões, sendo o ombro a região mais frequentemente acometida. Tal alteração pode comprometer de forma significativa a mobilidade e a execução das atividades cotidianas, em virtude da dor e da inflamação resultantes. A presença de cálcio no tecido tendíneo desencadeia processos inflamatórios que dificultam até mesmo os movimentos mais simples, impactando diretamente a funcionalidade do membro afetado.
O desenvolvimento desses depósitos calcários decorre de um processo biológico complexo, no qual há degeneração seguida de tentativas de regeneração do tendão. Durante esse ciclo, o organismo pode formar acúmulos minerais, que, ao crescerem, irritam as estruturas adjacentes, intensificando os sintomas. Sem o tratamento adequado, a tendinite calcária pode tornar-se uma condição crônica, reforçando a importância do diagnóstico precoce e de intervenções terapêuticas eficazes.
Os indivíduos acometidos frequentemente relatam limitação funcional, sobretudo em movimentos que envolvem elevação ou rotação do ombro. Além das implicações físicas, essa condição pode afetar o estado emocional, uma vez que a dor persistente e a restrição de movimentos comprometem a qualidade de vida, dificultando a participação em atividades sociais e recreativas.
Portanto, compreender a tendinite calcária é essencial para promover o manejo adequado da patologia e minimizar seus impactos sobre a saúde física e mental dos pacientes.
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Causas
Vários fatores contribuem para o desenvolvimento da tendinite calcária, destacando-se principalmente:
- Degeneração tendínea natural, especialmente com o avanço da idade.
- Lesões por esforço repetitivo, comuns em esportes ou atividades com movimentos aéreos.
- Redução do fluxo sanguíneo para os tendões, dificultando a regeneração tecidual.
- Distúrbios metabólicos, como diabetes e disfunções da tireoide, que alteram o metabolismo do cálcio.
- Histórico de lesões tendíneas, favorecendo cicatrizações anormais e depósitos cálcicos.
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Estágios da progressão da tendinite calcária:
A tendinite calcária evolui por meio de fases distintas, cada qual marcada por manifestações clínicas e níveis variados de desconforto.
1. Estágio Formativo
- Inicia-se a deposição de cristais de cálcio no interior dos tendões.
- Os sintomas, quando presentes, são geralmente leves ou ausentes.
2. Estágio Doloroso
- Os depósitos calcificados aumentam, provocando inflamação dos tecidos adjacentes.
- Ocorre intensificação da dor e limitação da amplitude de movimento.
3. Estágio de Reabsorção
- O organismo inicia o processo de reabsorção dos depósitos.
- A dor tende a reduzir, embora possam persistir rigidez articular e alterações estruturais no tendão.
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Diagnóstico
O diagnóstico da tendinite calcária é, em geral, estabelecido por meio de um exame clínico minucioso e de exames de imagem, como o raio-X. Durante a avaliação física, observam-se frequentemente limitações na mobilidade do ombro e dor significativa durante testes provocativos. O raio-X costuma evidenciar com clareza os depósitos de cálcio localizados nos tendões do manguito rotador. Além disso, a ultrassonografia constitui um recurso complementar valioso, permitindo a visualização detalhada das calcificações tendíneas.
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Tratamento
O controle eficaz da dor e dos sintomas é essencial no manejo clínico da tendinite calcificada. Adotar uma abordagem terapêutica multifatorial, que integre o uso de medicamentos, fisioterapia e ajustes no estilo de vida, pode contribuir significativamente para o alívio da dor e para a melhora funcional do paciente.
- Medicação: Fármacos analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, são amplamente utilizados para reduzir o processo inflamatório e aliviar a dor associada à tendinite calcificada. Em casos de dor intensa ou inflamação persistente, o médico poderá indicar o uso de analgésicos mais potentes ou realizar infiltrações com corticosteroides, visando um alívio sintomático mais eficaz.
- Fisioterapia: A fisioterapia é uma abordagem não invasiva essencial no tratamento da tendinite calcificada, contribuindo para a redução da dor, melhora da função articular e fortalecimento muscular. O plano terapêutico, elaborado pelo fisioterapeuta conforme as necessidades do paciente, pode incluir termoterapia, crioterapia, ultrassom, TENS, exercícios de amplitude de movimento, alongamento e fortalecimento, promovendo recuperação gradual e funcional da articulação afetada.
- Cirurgia: A cirurgia para tendinopatia calcificada é indicada em casos graves e refratários ao tratamento conservador. O método mais utilizado é a artroscopia, procedimento minimamente invasivo que permite a remoção dos depósitos de cálcio por meio de pequenas incisões, promovendo alívio dos sintomas e melhora funcional.
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Referências
- KIM, M.; KIM, I.; LEE, S.; SHIN, J. Diagnosis and treatment of calcific tendinitis of the shoulder. CiSE, v. 23, n. 4, p. 210-216, 2020. Disponível em: https://www.cisejournal.org/upload/pdf/cise-2020-00318.pdf. Acesso em: 19 jun. 2025.
- Wainner R, Hasz M. Management of acute calcific tendinitis of the shoulder. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy [serial online]. March 1998;27(3):231-237. Accessed 7/21/21.
- Kachewar SG, Kulkarni DS. Calcific tendinitis of the rotator cuff: a review. Journal of Clinical and Diagnostic Research. 2013 Jul;7(7):1482-5. Accessed 7/21/21.