A síndrome do túnel cubital é uma neuropatia compressiva resultante do aprisionamento ou irritação do nervo ulnar em seu trajeto pela região do cotovelo. O nervo ulnar é um dos três principais nervos do membro superior, originando-se do plexo braquial (raízes C8–T1) e estendendo-se da coluna cervical até a mão. Ele é responsável pela sensibilidade do quinto dedo (mínimo) e da metade ulnar do quarto dedo (anelar), além de controlar a função de músculos intrínsecos da mão — como os interósseos e lumbricais ulnarmente localizados —, essenciais para movimentos de pinça, destreza e força de preensão.
Anatomicamente, o nervo ulnar atravessa um canal estreito situado na face medial do cotovelo, denominado túnel cubital, delimitado pelo epicôndilo medial do úmero e pelo olécrano da ulna. Este local, popularmente conhecido como “osso engraçado”, constitui a segunda síndrome compressiva do nervo mais comum do membro superior, ficando atrás apenas da síndrome do túnel do carpo.
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Causas
A síndrome do túnel cubital pode ter diferentes causas, as quais envolvem fatores mecânicos, anatômicos e clínicos associados. Entre as principais, destacam-se:
- Compressão: O nervo ulnar possui pouca proteção de partes moles em seu trajeto no cotovelo. Assim, pressões diretas — como apoiar o braço repetidamente em superfícies rígidas — podem gerar parestesia, dormência ou hipoestesia local. Em muitos casos, os sintomas aliviam com a mudança de posição, mas, em algumas pessoas, persistem e provocam desconforto contínuo, sobretudo durante o sono.
- Alongamento: A manutenção prolongada do cotovelo em flexão acentuada, como ao segurar livros, telefones ou dormir com o cotovelo dobrado, pode tensionar o nervo ulnar, ocasionando irritação e sintomas sensoriais.
- Alterações anatômicas: Em determinados indivíduos, o nervo desloca-se anteriormente ao movimento do cotovelo, irritando-se no processo. Espessamento dos tecidos moles, presença de músculos acessórios, cistos sinoviais ou gânglios podem contribuir para compressão. Além disso, esporões ósseos relacionados à artrite, edema articular da artrite reumatoide ou pressão excessiva de ligamentos adjacentes podem igualmente comprometer sua função.
- Traumatismos: Impactos diretos, fraturas, hematomas e lesões perfurantes podem desencadear compressão do nervo.
- Doenças sistêmicas: Condições como diabetes mellitus e artrite reumatoide estão associadas à maior suscetibilidade para neuropatias compressivas.
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Sinais e Sintomas
Fase inicial:
- Parestesias intermitentes (“alfinetes e agulhas”) nos dedos mínimo e anelar.
- Dormência ocasional, especialmente em repouso.
- Dor na parte interna do cotovelo.
- Sintomas que pioram à noite ou nas primeiras horas da manhã.
Fase avançada:
- Atrofia dos músculos interósseos, visível no dorso da mão.
- Redução da força de preensão manual.
- Dificuldade para realizar atividades funcionais, como abrir potes, manipular maçanetas ou segurar objetos com firmeza.
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Tratamento
Há diversas medidas conservadoras capazes de atenuar a dor e os sintomas da síndrome do túnel cubital, sendo as principais relacionadas a mudanças no estilo de vida, uso criterioso de fármacos e acompanhamento fisioterapêutico. Evidências científicas apontam que aproximadamente 90% dos pacientes apresentam melhora significativa com essas estratégias não cirúrgicas.
Medidas terapêuticas principais
- Medicação: Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser prescritos para controlar a dor e reduzir o processo inflamatório.
- Evitar apoio direto no cotovelo: A compressão prolongada agrava a irritação do nervo ulnar. Manter o cotovelo levemente estendido durante o repouso e evitar dormir com ele excessivamente dobrado.
- Fisioterapia: A fisioterapia constitui um recurso fundamental no manejo da síndrome do túnel cubital. O fisioterapeuta pode orientar a realização de exercícios específicos destinados ao fortalecimento da musculatura adjacente, o que contribui para reduzir a pressão exercida sobre o nervo ulnar. Além disso, são indicados exercícios de amplitude de movimento, que preservam a flexibilidade e evitam o encurtamento dos músculos do braço e da mão, bem como técnicas de deslizamento neural, voltadas a promover o alongamento e a mobilidade do nervo.
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Referências
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- FILHO, G. R. et al. Modern Treatment of Cubital Tunnel Syndrome. Current Reviews in Musculoskeletal Medicine, v. 15, n. 5, p. 512-523, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2589514122001001. Acesso em: 21 ago. 2025.
- CAMPBELL, W. W. Ulnar Neuropathy: Background, Anatomy, Pathophysiology. Medscape, 2023. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/1141515-overview. Acesso em: 21 ago. 2025.
- MSD MANUALS. Síndrome do túnel cubital – Nervo ulnar. MSD Manuals – Versão Profissional, 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/distúrbios-dos-tecidos-conjuntivo-e-musculoesquelético/distúrbios-das-mãos/síndrome-do-túnel-cubital. Acesso em: 21 ago. 2025.
- GRAF, A.; AHMED, A. S.; ROUNDY, R.; GOTTSCHALK, M. B.; DEMPSEY, A. Modern Treatment of Cubital Tunnel Syndrome: Evidence and Controversy. Journal of Hand Surgery Global Online, v. 5, n. 4, p. 547–560, jul. 2023. DOI: 10.1016/j.jhsg.2022.07.008.