O teste de distração cervical foi descrito na literatura ortopédica e neurológica a partir da primeira metade do século XX, consolidando-se como uma manobra clínica relevante na avaliação das disfunções da coluna cervical, especialmente da radiculopatia cervical. Embora não exista consenso quanto à autoria ou ao ano exato de sua descrição, sua ampla utilização na prática clínica reforça sua importância diagnóstica e funcional.
O teste baseia-se no princípio biomecânico de que a aplicação de tração longitudinal na coluna cervical reduz a pressão sobre as estruturas neurais, como raízes nervosas e discos intervertebrais. Dessa forma, a diminuição ou o alívio da dor durante a manobra sugere comprometimento radicular decorrente de processos compressivos, como hérnia discal, osteófitos ou estreitamento foraminal.
É indicado principalmente em pacientes com sintomas radiculares, caracterizados por dor irradiada da região cervical para os membros superiores, podendo estar associados a parestesias, fraqueza muscular ou alterações sensitivas. Além de seu valor diagnóstico, o teste pode proporcionar alívio temporário dos sintomas, auxiliando na tomada de decisão clínica e no planejamento terapêutico.
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Execução do teste
- Posicione-se atrás do paciente.
- Apoie uma das mãos sob o queixo e a outra na região occipital, na porção posterior do crânio.
- Em seguida, aplique uma tração suave e progressiva para cima, promovendo a distração da coluna cervical.
- Durante a execução da manobra, observe atentamente possíveis alterações nos sintomas relatados pelo paciente, como redução, desaparecimento ou intensificação da dor.
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Interpretação
O teste de distração cervical é considerado positivo quando a aplicação da tração resulta em redução ou alívio da dor, sugerindo diminuição da compressão sobre as raízes nervosas cervicais. Em contrapartida, o aumento da dor durante a manobra indica, geralmente, uma origem não radicular da sintomatologia, como espasmo muscular, distensão ligamentar ou disfunções das estruturas cervicais
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Referências
- HOPPENFELD, Stanley. Physical examination of the spine and extremities. New York: Appleton-Century-Crofts, 1976.
- MAGEE, David J. Orthopedic physical assessment. 6. ed. St. Louis: Elsevier Saunders, 2014.
- VIZNIAK, Nikita A.; BUSE, Marieta. Evidence-Informed Orthopedic Assessment. Professional Health Systems Incorporated, 2020.
- WAINNER, R. S.; FRITZ, J. M.; IRRANG, J. J.; et al. Reliability and diagnostic accuracy of the clinical examination and patient self-report measures for cervical radiculopathy. Spine, v. 28, n. 1, p. 52–62, 2003.
- RUBINSTEIN, S. M.; POOL, J. J. M.; VAN TULDER, M. W.; et al. A systematic review of the diagnostic accuracy of provocative tests of the neck for diagnosing cervical radiculopathy. European Spine Journal, v. 16, p. 307–319, 2007.