A dor cervical, conhecida como cervicalgia, é uma das queixas musculoesqueléticas mais comuns e pode afetar pessoas de todas as idades. Em geral, está relacionada a fatores como postura inadequada, uso prolongado de celular e computador, tensão muscular, estresse, traumas ou alterações degenerativas da coluna cervical. A dor pode variar de um desconforto leve e rigidez até dor mais intensa, podendo irradiar para cabeça, ombros e braços, interferindo nas atividades diárias e na qualidade de vida.
Na maioria dos casos, a evolução é favorável quando há orientação adequada, incluindo cuidados posturais, exercícios, fisioterapia e, quando necessário, avaliação médica. Contudo, é importante procurar atendimento especializado se houver dor persistente sem melhora, perda de força, dormência significativa, febre associada ou histórico de trauma importante, pois esses são sinais de alerta.
Cuidar da saúde cervical, manter hábitos posturais adequados e adotar um estilo de vida ativo são medidas essenciais para prevenção e controle da dor no pescoço.
|
|
Tipos de Dor Cervical
A dor cervical pode ser classificada de acordo com o tempo de duração dos sintomas:
- Dor aguda: dura menos de seis semanas
- Dor subaguda: persiste entre seis e 12 semanas
- Dor crônica: dura mais de três meses
A dor no pescoço também pode ser classificada conforme o local onde os sintomas são sentidos:
- Dor axial: concentra-se principalmente na região cervical, podendo irradiar para os ombros.
- Dor radicular: ocorre quando a dor “corre” ao longo de um nervo. Pode irradiar para a parte posterior da cabeça ou descer pelo braço. Esse tipo de dor pode vir acompanhado de formigamento, dormência e fraqueza muscular.
Se a dor for intensa, persistente, associada a perda de força, dormência importante ou piora progressiva, é fundamental buscar avaliação profissional.
|
Causas
O pescoço é uma região muito suscetível à dor e lesões. Isso acontece porque ele possui uma estrutura complexa e é responsável por sustentar constantemente o peso da cabeça. Diversos fatores podem afetar músculos, nervos, ligamentos, vértebras e discos cervicais, levando ao desconforto.
- Postura inadequada: Manter a coluna desalinhada ao sentar, ficar em pé ou dormir pode sobrecarregar e enfraquecer a musculatura do pescoço. Longos períodos sentado, especialmente curvado sobre o computador ou celular, além do uso incorreto de mochilas e bolsas pesadas, também favorecem o surgimento de dor cervical.
- Entorse ou lesão muscular: Movimentos repetitivos, giro brusco do pescoço, acidentes (como o “golpe de chicote”), quedas ou traumas esportivos podem danificar estruturas cervicais e provocar dor.
- Estresse e tensão emocional: Situações de estresse podem levar à contração excessiva dos músculos do pescoço, resultando em tensão muscular, espasmos e desconforto.
- Alterações na coluna: Problemas estruturais, como escoliose (desvio lateral da coluna) e hipercifose torácica (aumento da curvatura na parte superior das costas), podem modificar o alinhamento corporal e contribuir para dor no pescoço.
- Estreitamento do canal vertebral: O estreitamento do canal por onde passa a medula e as raízes nervosas pode comprimir nervos e gerar dor cervical, formigamento, dormência ou fraqueza nos braços. Isso pode ocorrer em condições como estenose cervical ou hérnia de disco.
|
Condições relacionadas ao envelhecimento que podem causar dor no pescoço
- Espondilose cervical: desgaste natural dos discos e articulações da coluna cervical, comum após os 60 anos, podendo causar dor e rigidez.
- Doença degenerativa do disco: com o tempo, os discos intervertebrais perdem hidratação e altura, resultando em dor, limitação de movimento e rigidez.
- Osteoartrite cervical: desgaste da cartilagem das articulações do pescoço, levando a inflamação, dor e dificuldade de movimento.
|
Sintomas
- Dor na região do pescoço, variando de sensação de peso/queimação até dor intensa e em pontada
- Rigidez cervical
- Dificuldade para movimentar a cabeça
- Agravamento da dor ao virar para os lados ou olhar para cima
Possíveis sintomas associados
- Dor irradiada: pode se estender para ombros, região entre as escápulas e, em casos de compressão nervosa, para braços e mãos
- Formigamento, dormência ou fraqueza nos membros superiores
- Dor de cabeça (cefaleia cervicogênica): dor que começa na base do crânio e pode se espalhar para a cabeça e têmporas
- Estalos cervicais: sensação ou som de “crepitar” ao movimentar o pescoço
- Tensão muscular: presença de pontos dolorosos e sensíveis nos músculos do pescoço e trapézio
|
Tratamento
O tratamento da dor no pescoço varia de acordo com a causa, a intensidade dos sintomas e a presença de sinais associados, como dormência ou formigamento. A escolha da abordagem deve ser individualizada e orientada por um profissional de saúde.
- Medicamentos (sob prescrição médica): Os medicamentos podem ser indicados para aliviar a dor e reduzir a inflamação. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, bem como analgésicos e relaxantes musculares, devem ser utilizados somente com orientação e prescrição médica, respeitando a dosagem e o tempo de uso adequados.
- Fisioterapia: A fisioterapia é uma das principais formas de tratamento da dor cervical. Por meio de exercícios terapêuticos, técnicas manuais e orientações posturais, contribui para o alívio da dor, fortalecimento da musculatura do pescoço, melhora da mobilidade e prevenção de novos episódios.
- Cirurgia: A intervenção cirúrgica é reservada para casos específicos, quando o tratamento conservador não apresenta resultados.
|
Referências
- COHEN, Steven P. Epidemiology, diagnosis, and treatment of neck pain. Mayo Clinic Proceedings, Rochester, v. 90, n. 2, p. 284–299, 2015.
DOI: 10.1016/j.mayocp.2014.09.008. - CÔTÉ, Pierre et al. The burden and determinants of neck pain in workers. European Spine Journal, Heidelberg, v. 17, suppl. 1, p. 60–74, 2008.
DOI: 10.1007/s00586-008-0626-8. - HOY, Damian et al. The global burden of neck pain: estimates from the Global Burden of Disease 2010 study. Annals of the Rheumatic Diseases, London, v. 73, n. 7, p. 1309–1315, 2014.
DOI: 10.1136/annrheumdis-2013-204431. - COHEN, S. P. Epidemiology, diagnosis, and treatment of neck pain. In: MSD Manuals – Profissional. 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/distúrbios-dos-tecidos-conjuntivo-e-musculoesquelético/dor-cervical-e-lombar/visão-geral-da-dor-cervical-e-lombar. Acesso em: 09 jan. 2026.
- RUBIN, Michael; LEVIN, Michael C. Espondilose cervical. In: MSD Manuals – Versão Saúde para a Família. 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/distúrbios-cerebrais-da-medula-espinal-e-dos-nervos/doenças-da-medula-espinhal/espondilose-cervical. Acesso em: 09 jan. 2026.
- BLANPAIN, Christophe et al. Neck pain: assessment and management. BMJ, London, v. 358, j3221, 2017.
DOI: 10.1136/bmj.j3221. - CHILDS, John D. et al. Neck pain: clinical practice guidelines linked to the International Classification of Functioning, Disability, and Health. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, Alexandria, v. 38, n. 9, p. A1–A34, 2008.
DOI: 10.2519/jospt.2008.0303. - BOGDUK, Nikolai. Cervicogenic headache: an assessment of the evidence on clinical diagnosis, invasive tests, and treatment. The Lancet Neurology, London, v. 8, n. 10, p. 959–968, 2009.
DOI: 10.1016/S1474-4422(09)70209-X. - VAN DER VELDE, Gabrielle et al. The effectiveness of conservative treatments for neck pain. Spine, Philadelphia, v. 32, n. 1, p. 1–14, 2007.
DOI: 10.1097/01.brs.0000252197.07117.45. - WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO guidelines on chronic pain management. Geneva: World Health Organization, 2019.