O ombro é uma articulação do tipo esferoide, caracterizada pelo encaixe da cabeça do úmero (osso do braço) na cavidade glenoidal da escápula (omoplata). Trata-se da articulação com maior amplitude de movimento do corpo humano. Contudo, justamente por essa mobilidade acentuada, também apresenta considerável instabilidade. Essa instabilidade articular torna o ombro suscetível a uma série de lesões.
As luxações do ombro podem ser classificadas como completas ou parciais, geralmente decorrentes de traumas, como quedas ou acidentes automobilísticos.
- Luxação completa: há separação total entre as superfícies articulares.
- Luxação parcial: ocorre apenas uma separação incompleta dessas superfícies, condição também denominada subluxação.
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Tipos de luxação do ombro
As luxações do ombro podem ser classificadas de acordo com a direção do deslocamento da cabeça do úmero em relação à cavidade glenoidal: anterior, posterior e inferior.
- Luxação anterior: É a forma mais comum de luxação do ombro. A cabeça do úmero desloca-se anteriormente, resultando frequentemente em deformidade visível na parte frontal do ombro e rotação externa do braço.
- Luxação posterior: Menos frequente, caracteriza-se pelo deslocamento da cabeça umeral para trás, em direção à escápula. Pode ser de difícil identificação clínica, pois a deformidade costuma ser sutil, e o membro apresenta rotação interna.
- Luxação inferior: Rara, ocorre quando a cabeça do úmero é desviada inferiormente. Geralmente é bastante dolorosa, e o braço tende a permanecer pendente ao lado do corpo. Pode, por vezes, ser confundida com outras lesões do ombro.
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Causas
O deslocamento do ombro pode ser provocado por diversos fatores, sendo os mais comuns:
- Trauma: A subluxação pode ocorrer devido a acidentes ou lesões que comprometem a integridade da articulação do ombro ou das estruturas responsáveis por sua estabilidade. Quedas e colisões automobilísticas estão entre os exemplos mais frequentes.
- Lesões esportivas: A prática de esportes de contato, como futebol e artes marciais, está frequentemente associada a subluxações do ombro. Atividades com risco de queda, como vôlei e ginástica, também aumentam esse risco.
- Desequilíbrio muscular: A instabilidade do ombro pode resultar de um desequilíbrio na força ou coordenação dos músculos periarticulares. Fraqueza muscular, fadiga, uso excessivo ou preparo físico inadequado comprometem o suporte dinâmico necessário para manter a cabeça do úmero centrada na cavidade glenoidal, favorecendo episódios de subluxação.
- Fatores congênitos ou anatômicos: Algumas pessoas têm características anatômicas que favorecem a instabilidade articular, como hipermobilidade, frouxidão ligamentar ou cavidade glenoidal rasa, o que aumenta a predisposição a luxações e subluxações.
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Sintomas
Os sintomas de uma luxação do ombro podem incluir:
- Deformidade visível da articulação
- Dormência
- Inchaço
- Fraqueza
- Dor intensa – muitas vezes acompanhada por espasmos musculares, o que pode intensificar a sensação dolorosa
A subluxação, por sua vez, pode ser mais difícil de identificar. Como o ombro está apenas parcialmente deslocado, os ossos podem se realinhar espontaneamente, fazendo com que a articulação pareça quase normal. Apesar de a mobilidade ser preservada em muitos casos, é comum a presença de dor.
Subluxações recorrentes podem ocorrer ao longo do tempo, especialmente se os ligamentos afetados não cicatrizarem adequadamente.
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Tratamento
A luxação do ombro deve ser considerada uma lesão de emergência, exigindo intervenção médica imediata. O objetivo inicial é reposicionar o ombro em seu alinhamento normal — procedimento que deve ser realizado exclusivamente por um médico, a fim de evitar complicações.
Para os casos de subluxação e luxação do ombro, o tratamento inclui:
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- Controle da dor: O controle da dor constitui elemento fundamental no tratamento de luxações do ombro. Podem ser empregados medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), para reduzir a dor e a inflamação, além de terapias com compressas frias ou quentes, que auxiliam no controle da dor e favorecem o processo de cicatrização.
- Descanso e modificação de atividade: O repouso e a modificação das atividades são imprescindíveis para a recuperação. A evitação de movimentos que sobrecarregam o ombro permite a cicatrização adequada. A reintrodução gradual das atividades, à medida que ocorre o fortalecimento da articulação, previne recorrências futuras. Além disso, a fisioterapia tem papel determinante na restauração da amplitude de movimento, força e estabilidade do ombro.
- Fisioterapia: A reabilitação fisioterapêutica exerce papel essencial no tratamento pós-luxação de ombro. Por meio de um programa individualizado, busca-se restaurar a mobilidade, fortalecer os músculos do manguito rotador e otimizar a estabilidade da articulação.
- Intervenções cirúrgicas: Nos casos em que há rompimento ligamentar significativo ou luxações recorrentes, pode-se indicar intervenção cirúrgica. Entre as opções, destacam-se a reparação artroscópica dos ligamentos e procedimentos reconstrutivos, como a técnica de Latarjet, frequentemente utilizada para estabilização em situações de instabilidade anterior repetida.
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Referências
- ESCAMILLA, R. F.; YAMASHIRO, K.; PAULOS, L.; ANDREWS, J. R. Shoulder muscle activity and function in common shoulder rehabilitation exercises. Sports Medicine, v. 39, n. 8, p. 663‑685, 2009.
- NYU LANGONE HEALTH. Nonsurgical Treatment for Shoulder Dislocation. Disponível em: fonte online. Acesso em: jul. 2025.
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- AMERICAN ACADEMY OF ORTHOPAEDIC SURGEONS. Dislocated shoulder. OrthoInfo. Disponível em: https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/dislocated-shoulder/. Acesso em: jul. 2025.
- McMAHON, P. J. et al. (Ed.). Sports medicine: Upper extremity. In: Current Diagnosis & Treatment in Orthopedics. 6. ed. New York: McGraw Hill, 2021. Disponível em: https://accessmedicine.mhmedical.com. Acesso em: jul. 2025.