A fratura de escafoide é uma ruptura que acomete o osso escafoide, uma pequena estrutura localizada no punho, próxima à base do polegar. Esse tipo de lesão é comumente provocado por quedas sobre a mão estendida, colisões em esportes de contato, acidentes automobilísticos ou outros tipos de traumas. Devido à sua limitada irrigação sanguínea, o escafoide apresenta um processo de cicatrização mais demorado em comparação a outras fraturas, além de maior predisposição a complicações.
O escafoide é dividido em três partes, e a localização da fratura exerce uma influência crucial no método de tratamento adotado e na duração do processo de recuperação:
- Polo distal: a extremidade mais próxima dos dedos.
- Cintura: a região central do escafoide, onde ocorre a maioria das fraturas.
- Polo proximal: a extremidade mais próxima do antebraço; fraturas nesta área tendem a apresentar maior tempo de cicatrização e maior probabilidade de complicações, devido à limitada irrigação sanguínea nessa região.
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O atraso no diagnóstico de uma fratura de escafoide e no início do seu tratamento pode comprometer o prognóstico de consolidação óssea. Essa demora eleva o risco de necrose avascular e aumenta a probabilidade de desenvolvimento de artrite a longo prazo. O tratamento de fraturas do escafoide frequentemente inclui fisioterapia, que desempenha um papel crucial na recuperação da força e da amplitude de movimento (ADM) do punho e da mão afetados.
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Sintomas
Os sinais de uma fratura do escafoide incluem:
- Dor localizada no lado do punho próximo ao polegar;
- Inchaço e hematomas na região lateral do punho, próxima ao polegar;
- Dificuldade em segurar ou manipular objetos.
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Diagnóstico
O diagnóstico de uma fratura do escafoide pode ser desafiador, pois radiografias realizadas logo após a lesão podem não apresentar anormalidades se o osso não estiver deslocado. Em casos de fraturas não deslocadas, a lesão pode ser visível apenas nas radiografias realizadas após o início do processo de cicatrização, o que geralmente ocorre de uma a duas semanas após o trauma.
Devido a essa dificuldade, é comum tratar uma lesão no punho como se fosse uma fratura de escafoide, utilizando imobilização por uma ou duas semanas, para então repetir as radiografias e verificar a presença da fratura. Alternativamente, a ressonância magnética (RMN) pode ser empregada para diagnosticar a lesão imediatamente, sem a necessidade de aguardar novos exames radiográficos.
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Tratamento
As fraturas do escafoide, devido à sua complexidade e localização anatômica, demandam abordagens terapêuticas cuidadosamente ajustadas à gravidade da lesão. Em casos menos graves, o tratamento conservador com imobilização adequada é frequentemente suficiente para promover a consolidação óssea, sendo o progresso monitorado de forma criteriosa por meio de exames de imagem. Já em situações mais complexas, como fraturas com desvio, no polo proximal ou na cintura do escafoide, a intervenção cirúrgica torna-se necessária, seguida de um período prolongado de imobilização. Independentemente da abordagem, a reabilitação com fisioterapia desempenha um papel indispensável na restauração da força muscular e na recuperação da amplitude de movimento (ADM) do punho e da mão acometidos, assegurando a funcionalidade e qualidade de vida do paciente.
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Referências bibliográficas
- Li H, Guo W, Guo S, Zhao S, Li R. Surgical versus nonsurgical treatment for scaphoid waist fracture with slight or no displacement: A meta-analysis and systematic review. Medicine. 2018;97(48):e13266. doi:10.1097/MD.0000000000013266
- American Academy of Orthopaedic Surgeons: OrthoInfo. Scaphoid Fracture of the Wrist.
- Nationwide Children’s Hospital. Scaphoid Fractures.